Archive for the ‘Pós-Graduação’ Category

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O cronômetro não quer saber…

22 de fevereiro de 2011

Nossa vida realmente é uma grande surpresa! Quando menos a gente espera, acontece algo que muda seu dia e tudo fica melhor. Na última sexta-feira, cheguei 10 minutos atrasado na sala de aula, que, para meu espanto, encontrava-se escura e vazia. Após um telefonema para o amigo Diogo Ramalho, fiquei sabendo que a turma estava no Minas Tênis Clube.

“Legal!”, pensei. Lugar diferente. Nunca estive lá. Uma parada rápida para um suco e um pastel e rumo ao MTC. Afinal, eu já estava atrasado e, no meu caso, o relógio não quer saber!

Chegando ao local indicado, fui à uma sala onde estavam meus colegas de turma, o professor Ivan e o assessor de imprensa do Minas Tênis Clube, Ronaldo Inácio. Após um bate-papo, fomos conhecer parte da estrutura do MTC. E que estrutura!

Todas as quadras estavam repletas de pessoas, jovens e adultos, praticando diversos esportes: futebol, basquete, ginástica artística. Mas o que mais me impressionou foram as jovens senhoras jogando vôlei! Felizes, com disposição. Mais tarde, o professor Ivan disse que as pessoas chegam ao Clube às 5 da manhã para jogar peteca! Mas, e daí? O relógio não quer saber! Azar de quem fica dormindo… Azar é meu!!!

Fomos até as piscinas do MTC e tivemos uma conversa bem interessante com o assistente técnico da equipe de natação do Minas, Vaccari. Durante nossa entrevista, um atleta em treinamento ia e voltava, ia e voltava, até um momento em que ele parou. Visivelmente cansado, puxava o ar com uma certa dificuldade e parecia prestar atenção nas respostas que seu comandante nos concedia. Após uma ordem de Vaccari, o nadador realizou mais umas braçadas, fazendo jus à frase-título desse texto, dita pelo próprio Vaccari: “O cronômetro não quer saber!”.

Para cidadãos comuns, a vida é pautada e gerenciada por relógios. Pelo seu celular, na parede da sala, no seu criado-mudo ou no seu pulso. Não importa o modelo ou a marca. O importante são as horas e minutos. Raramente os segundos tem alguma importância. Mas não no Minas Tênis Clube! Não para seus atletas! É tudo no cronômetro! Cada milésimo de segundo é importante para eles, independente se são amadores em busca de um lugar ao sol, profissionais ou somente pessoas atrás de diversão e boa saúde.

Como o nosso relógio não quer saber e o cronômetro do Minas também não, fomos à arena para conversar com algum integrante da comissão técnica da equipe local. Para nossa surpresa, tivemos um agradável diálogo com o ex-jogador da seleção brasileira de basquete e atual técnico da equipe de Bauru, Guerrinha, que estava por lá para um confronto contra o Minas. Ele nos contou suas experiências e opiniões, sempre com muita simpatia e boa vontade.

Em seguida, tive a oportunidade de quebrar um certo preconceito que muitos brasileiros possuem em relação à argentinos. O atual técnico da equipe de basquete do Minas, o hermano Nestor Garcia, nos agraciou com uma ótima prosa. As diferenças entre o basquete brasileiro e argentino, experiências no exterior, a rivalidade entre os dois países e a paixão que os adeptos de Maradona tem pelo esporte. Tudo dito no bom, velho e eterno portunhol, com muita paciência e algumas risadas!

Extremamente interessante! É assim que classifico nossa visita ao MTC. Um lugar que merece ser acompanhado pelos amantes de esporte, frequentado pelos que podem e servir de residência/referência para nossos atletas de ponta… aqueles que no lugar de um simples relógio, usam um aparelho que nunca quer saber!

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Análise Verde – Atlético/PR 1×0 Palmeiras

5 de novembro de 2010

Antes de qualquer comentário sobre o time do Palmeiras, devo dizer que agora, após assistir a derrota do time alvi-verde por 1×0 contra o Altlético/PR, entendo toda a irritação demonstrada pelo Felipão nas últimas semanas.

Meu Deus, como é limitado tecnicamente esse time do Palmeiras!

Até que, defensivamente, o time está bem arrumado, como todo time montado pelo técnico Scolari.

O Verdão (ou marca-texto, como preferir) entrou em campo armado no 4-4-2. Os laterais, Gabriel Silva e Marcio Araújo, pouco se aventuraram no ataque, evitando assim, maiores perigos dos ofensivos laterais atleticanos.

Edinho, como já era de se esperar, faz a típica função do primeiro volante: destrói a jogada adversária e toca rapidamente pro primeiro que aparece na frente. Logo à sua frente, Marcos Assunção joga como segundo volante, ficando geralmente na linha de meio-campo, fazendo combate e sendo o responsável pelo início das jogadas de ataque alvi-verde.

Tinga marca como segundo volante, mas tem liberdade de atuar também como meia direita e, às vezes, até de ponta direita, auxiliando as jogadas ofensivas quando Marcio Araújo resolve subir ao ataque.

A partir daqui, as coisas começam a desandar…

Lincoln deveria fazer a função de um camisa 10, ou seja, parar, pensar, tocar a bola, dar passes em profundidade…

Mas ele usa a camisa 99…

Posicionou-se na intermediária do campo do Atlético/PR, caindo muito pelo lado direito, mas, em nenhum momento, fez aquilo que se esperava dele. Jogador apático, sem vontade…

Como o Valdívia (em boa forma, diga-se!) faz falta nesse time!

O Luan… bem, o cara é esforçado demais! O cara é forte, rápido (até certo ponto…) e muito, mas muito limitado tecnicamente. Fez a função de segundo atacante, somente pelo lado esquerdo.

E o Tadeu é o famoso homem de área. Ficou fixo no ataque palmeirense, sem causar muito perigo pra defesa paranaense.

No segundo tempo, pressionado pelo Atlético/PR, Felipão tirou o apagado Lincoln e colocou o volante Pierre, com a intenção de reforçar a marcação na sua intermediária e liberar Tinga e Marcos Assunção para auxiliar o ataque, enquanto o Palmeiras estivesse com a bola. Sem a bola, ambos continuariam com a função de volantes.

Ewerton entrou no lugar de Tadeu pra melhorar tecnicamente o ataque, mas sem nenhuma mudança tática.

Após o gol do time paranaense, Felipão colocou o jovem Vinícius no lugar de Tinga, aumentando o número de atacantes para conseguir o gol de empate, mas o esforço foi em vão.

Jogo muito fraco. Venceu o time que se esforçou um pouco mais e que tinha algumas opções tecnicamente melhores.

O Felipão terá muito trabalho em 2011, pois, com esse elenco, não dá pra chegar muito longe nas competições futuras.

Abraços!

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Esporte Negócio X Esporte Competição

30 de setembro de 2010

Nos tempos atuais, todas as coisas inerentes ao ser humano, que trazem a ele conforto, bem-estar, prazer físico e/ou psicológico estão aptos a se tornarem um produto com grande valor mercadológico, seja ele uma simples garrafa d’água, um aparelho de TV ou uma partida de futebol. Dito isso, o esporte é uma prática que consegue agregar o âmbito físico e psicológico, tornando-se algo com possibilidades imensas de lucro, seja dentro ou fora de campo.

O que devemos analisar é se realmente devemos separar o “esporte negócio” do “esporte competição”, pois, um está diretamente ligado ao outro.

O cliente não consumirá algo que não lhe proporcione prazer ou, ao menos, uma ilusão de prazer, pois sempre haverá uma grande expectativa por trás daquilo que é adquirido por qualquer cliente. Cabe a empresa oferecer aquilo que o seu consumidor final deseja. Vamos tomar como exemplo uma propaganda de um novo refrigerante, onde ela apresenta-se nas imagens publicitárias de forma saborosa, refrescante, sendo consumidas por pessoas que demonstram grande satisfação ao ingerir essa bebida. O consumidor, ao deparar-se num dia quente, lembra-se da propaganda e resolve experimentar a bebida. Ele desconhece seu sabor, porém, a ilusão demonstrada nas propagandas o leva a comprar o produto exposto.

Mas, o que tem a ver um simples comercial clichê de refrigerante com o tema proposto nesse breve artigo?

Colocaremos isso num âmbito futebolístico!

O torcedor não espera o início de um grande campeonato com a certeza de que seu time será campeão. Inicialmente, ele possui uma ilusão de que isso irá acontecer. Porém, essa ilusão será algo palpável quando, por trás das cortinas, o clube for administrado por pessoas com grande poder e visão de mercado, que consigam vislumbrar que o torcedor não consome unicamente o título no final da temporada, mas sim a EXPECTATIVA do título.

Vamos explicitar esse assunto de outra forma.

Quando o Corinthians cogitou a vinda do Ronaldo, muitos consideravam essa transação como algo absurdo, vide a idade e a forma física do atleta. Porém, segundo o diretor de marketing do Sport Club Corinthians Paulista, Luis Paulo Rosenberg, numa entrevista concedida para a revista Four-Four-Two, publicada em dezembro/2009, “o Ronaldo é o melhor negócio que o Corinthians fez. Eu dou receitas pra  ele, mas ele me alavanca receitas também. Seja no ingresso, seja no preço pelo qual posso vender minhas outras propriedades”. Ou seja, ao trazer um nome conhecido mundialmente pela parte técnica, o Corinthians também levou ao torcedor corinthiano a visão de ver um dos maiores jogadores da história com a mesma camisa que ele usa para ir ao estádio, comprar pão, trabalhar, ir à escola, jogar uma pelada, etc. E não só isso! Ele vislumbrou o potencial de ganhar o título no final do campeonato. O nome Ronaldo trouxe ao Corinthians uma visibilidade mundial nunca vista antes e o jogador Ronaldo acabou rendendo mais do que esperado, sendo também importante dentro de campo para as conquistas corinthianas no primeiro semestre de 2009.

Outro exemplo prático foi a volta do Robinho ao Santos. Uma entrevista do presidente do Santos Futebol Clube, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, ao www.portalexame.com.br, publicada em 19/02/2010, diz o seguinte: Álvaro aposta que a chegada de Robinho ao clube e o bom desempenho no campeonato paulista valorizarão o time – e isso poderá ser revertido em um patrocínio mais graúdo. Foram esses fatores, aliás, que fizeram com que a venda das mangas (das camisas) tivesse esse resultado, segundo o dirigente paulista. “A empresa entendeu que o Santos está em um bom momento e apresenta um trabalho sério”, disse.

Esses são dois exemplos de sucesso, onde competição e negócio andaram paralelamente, gerando à Corinthians e Santos aumento de suas respectivas rendas através de bilheteria, merchadising, patrocínios, etc.

Claro que existem outros exemplos em que a aquisição de um grande jogador não trouxe os resultados citados acima, porém, a intenção foi mostrar que um trabalho em conjunto entre direção de marketing e direção de futebol, se realizada de forma profissional com uma “pitada” de ousadia (também denominada paixão), pode gerar grandes frutos nos cofres dos clubes e em suas salas de troféus.

Referências bibliográficas

Revista Four-Four-Two – Dezembro/2009

Site: http://portalexame.abril.com.br/negocios/santos-fecha-seara-patrocinio-mangas-camisa-2010-534470.html